“A luz só aumenta.” Todo cliente diz essa frase, normalmente no meio de uma reunião sobre outra coisa. E quase sempre a resposta que nós damos é genérica: encargos, bandeira, custo de geração.
O problema é que resposta genérica não sustenta proposta. Quando o cliente pergunta se vale a pena investir em geração própria, no fundo ele está perguntando se a energia vai continuar subindo. E isso tem resposta medida.
Resolvi medir, e medir tudo. Peguei a base de tarifas homologadas da ANEEL, selecionei as 36 concessionárias de distribuição que atendem os grandes centros urbanos de todos os estados do país e comparei a tarifa residencial de 2016 com a de 2026. Depois coloquei o IPCA do mesmo período ao lado, com o número-índice do IBGE, e separei o Fio B, que é a parte da conta que mais interessa a quem trabalha com geração distribuída. No fim, refiz tudo para o Grupo A, e ali o resultado é bem diferente.
O cliente está certo. E o tamanho da diferença é maior do que eu esperava.
O número que resume dez anos
Na média das 36 distribuidoras:
-
Tarifa: +85,0% em dez anos, ou +6,47% ao ano;
-
IPCA no mesmo período: +60,8%, ou +4,99% ao ano;
-
Acima da inflação: +15,1% acumulado, ou +1,41% ao ano;
-
Fio B: +101,7%, quase o dobro da alta da tarifa cheia.
34 das 36 subiram acima da inflação. Só duas ficaram abaixo. E sete mais que dobraram em dez anos.
O que chama atenção não é o tamanho de um número isolado, é a consistência. Não foi um ano ruim puxando a média: foi uma década inteira em que a tarifa correu na frente do IPCA, atravessando crise hídrica, pandemia, a privatização de boa parte do setor e duas mudanças grandes de regra na geração distribuída.
A tabela completa
Referência: B1 residencial, modalidade convencional, TUSD mais TE, tarifa de aplicação sem tributos. A comparação vai da primeira vigência de cada distribuidora a partir de 2016 até a vigência atual.
| Distribuidora | Reajuste de 2026(em branco: ainda não reajustou) | Variação nos últimos 10 anos | % em relação à inflação(IPCA) | Fio B(variação no mesmo período) |
|---|---|---|---|---|
| Roraima Energia | 25/01/2026 | +134,1% | +50,0% | +94,3% |
| RGE (RS) | 19/06/2026 | +127,3% | +39,4% | +183,2% |
| Equatorial Piauí | +114,1% | +37,1% | +126,7% | |
| Equatorial Goiás | +109,6% | +35,3% | +136,5% | |
| CEA Equatorial (AP) | 13/04/2026 | +107,8% | +30,3% | +246,1% |
| CEEE-D (RS) | +107,1% | +33,6% | +76,3% | |
| Coelba (BA) | 22/04/2026 | +103,9% | +24,6% | +128,7% |
| Neoenergia Elektro (SP) | 27/08/2026 | +99,1% | +23,5% | +72,5% |
| Energisa Mato Grosso do Sul | 22/04/2026 | +97,6% | +20,7% | +139,3% |
| Equatorial Alagoas | 03/05/2026 | +96,4% | +21,9% | +103,5% |
| Enel Rio | 15/03/2026 | +95,8% | +19,6% | +140,7% |
| EDP São Paulo | +95,2% | +26,0% | +92,3% | |
| Enel SP | 04/07/2026 | +95,2% | +20,2% | +126,0% |
| Cosern (RN) | 22/04/2026 | +91,4% | +16,9% | +108,6% |
| Energisa Tocantins | 26/08/2026 | +88,8% | +16,7% | +88,0% |
| Energisa Sul-Sudeste | 12/07/2026 | +86,5% | +13,8% | +87,9% |
| EDP Espírito Santo | 07/08/2026 | +85,5% | +15,1% | +71,4% |
| Equatorial Pará | 07/08/2026 | +84,5% | +14,5% | +74,5% |
| Copel (PR) | 24/06/2026 | +82,2% | +11,7% | +97,0% |
| Energisa Minas Rio | 22/06/2026 | +81,3% | +11,2% | +91,7% |
| Neoenergia Pernambuco | 29/04/2026 | +81,1% | +10,6% | +91,7% |
| Neoenergia Brasília (DF) | +80,9% | +16,7% | +34,6% | |
| CPFL Piratininga (SP) | +79,9% | +16,1% | +82,8% | |
| Equatorial Maranhão | 28/08/2026 | +77,2% | +10,0% | +52,5% |
| Energisa Mato Grosso | 08/04/2026 | +77,2% | +8,2% | +130,7% |
| Celesc (SC) | 22/08/2026 | +76,1% | +9,3% | +45,5% |
| Energisa Sergipe | 22/04/2026 | +74,5% | +6,6% | +48,8% |
| Cemig (MG) | 28/05/2026 | +70,0% | +4,1% | +65,0% |
| Energisa Rondônia | 26/08/2026 | +65,4% | +3,2% | +222,1% |
| CPFL Paulista (SP) | 08/04/2026 | +65,4% | +1,0% | +163,0% |
| Energisa Acre | 26/08/2026 | +65,0% | +2,9% | +89,2% |
| Light (RJ) | 15/03/2026 | +61,9% | +0,3% | +93,7% |
| Amazonas Energia | 26/05/2026 | +61,7% | +0,8% | +116,3% |
| Energisa Paraíba | 28/08/2026 | +61,2% | +0,0% | +41,1% |
| Enel Ceará | 26/08/2026 | +47,7% | -10,3% | +75,8% |
| Sulgipe (SE/BA) | 26/08/2026 | +32,1% | -16,2% | +23,8% |
| Média das 36 | +85,0% | +15,1% | +101,7% |
Repare na coluna de data: seis distribuidoras aparecem em branco porque ainda não reajustaram em 2026. A tarifa delas na tabela é a de 2025, e elas mudam nas próximas semanas ou meses.
Quanto subiu a energia de cada distribuidora
Se você só quer o número da distribuidora que atende o seu cliente, está aqui, estado por estado. Em todos os casos é a tarifa residencial B1 convencional, sem tributos e sem bandeira, comparando 2016 com a vigência atual.
Norte
-
Roraima Energia: a tarifa subiu +134,1% em dez anos, +50,0% acima da inflação. O Fio B subiu +94,3%;
-
CEA Equatorial (AP): a tarifa subiu +107,8% em dez anos, +30,3% acima da inflação. O Fio B subiu +246,1%;
-
Energisa Tocantins: a tarifa subiu +88,8% em dez anos, +16,7% acima da inflação. O Fio B subiu +88,0%;
-
Equatorial Pará: a tarifa subiu +84,5% em dez anos, +14,5% acima da inflação. O Fio B subiu +74,5%;
-
Energisa Rondônia: a tarifa subiu +65,4% em dez anos, +3,2% acima da inflação. O Fio B subiu +222,1%;
-
Energisa Acre: a tarifa subiu +65,0% em dez anos, +2,9% acima da inflação. O Fio B subiu +89,2%;
-
Amazonas Energia: a tarifa subiu +61,7% em dez anos, +0,8% acima da inflação. O Fio B subiu +116,3%.
Nordeste
-
Equatorial Piauí: a tarifa subiu +114,1% em dez anos, +37,1% acima da inflação. O Fio B subiu +126,7%;
-
Coelba (BA): a tarifa subiu +103,9% em dez anos, +24,6% acima da inflação. O Fio B subiu +128,7%;
-
Equatorial Alagoas: a tarifa subiu +96,4% em dez anos, +21,9% acima da inflação. O Fio B subiu +103,5%;
-
Cosern (RN): a tarifa subiu +91,4% em dez anos, +16,9% acima da inflação. O Fio B subiu +108,6%;
-
Neoenergia Pernambuco: a tarifa subiu +81,1% em dez anos, +10,6% acima da inflação. O Fio B subiu +91,7%;
-
Equatorial Maranhão: a tarifa subiu +77,2% em dez anos, +10,0% acima da inflação. O Fio B subiu +52,5%;
-
Energisa Sergipe: a tarifa subiu +74,5% em dez anos, +6,6% acima da inflação. O Fio B subiu +48,8%;
-
Energisa Paraíba: a tarifa subiu +61,2% em dez anos, praticamente empatando com a inflação. O Fio B subiu +41,1%;
-
Enel Ceará: a tarifa subiu +47,7% em dez anos, 10,3% abaixo da inflação. O Fio B subiu +75,8%;
-
Sulgipe (SE/BA): a tarifa subiu +32,1% em dez anos, 16,2% abaixo da inflação. O Fio B subiu +23,8%.
Centro-Oeste
-
Equatorial Goiás: a tarifa subiu +109,6% em dez anos, +35,3% acima da inflação. O Fio B subiu +136,5%;
-
Energisa Mato Grosso do Sul: a tarifa subiu +97,6% em dez anos, +20,7% acima da inflação. O Fio B subiu +139,3%;
-
Neoenergia Brasília (DF): a tarifa subiu +80,9% em dez anos, +16,7% acima da inflação. O Fio B subiu +34,6%;
-
Energisa Mato Grosso: a tarifa subiu +77,2% em dez anos, +8,2% acima da inflação. O Fio B subiu +130,7%.
Sudeste
-
Neoenergia Elektro (SP): a tarifa subiu +99,1% em dez anos, +23,5% acima da inflação. O Fio B subiu +72,5%;
-
Enel Rio: a tarifa subiu +95,8% em dez anos, +19,6% acima da inflação. O Fio B subiu +140,7%;
-
EDP São Paulo: a tarifa subiu +95,2% em dez anos, +26,0% acima da inflação. O Fio B subiu +92,3%;
-
Enel SP: a tarifa subiu +95,2% em dez anos, +20,2% acima da inflação. O Fio B subiu +126,0%;
-
Energisa Sul-Sudeste: a tarifa subiu +86,5% em dez anos, +13,8% acima da inflação. O Fio B subiu +87,9%;
-
EDP Espírito Santo: a tarifa subiu +85,5% em dez anos, +15,1% acima da inflação. O Fio B subiu +71,4%;
-
Energisa Minas Rio: a tarifa subiu +81,3% em dez anos, +11,2% acima da inflação. O Fio B subiu +91,7%;
-
CPFL Piratininga (SP): a tarifa subiu +79,9% em dez anos, +16,1% acima da inflação. O Fio B subiu +82,8%;
-
Cemig (MG): a tarifa subiu +70,0% em dez anos, +4,1% acima da inflação. O Fio B subiu +65,0%;
-
CPFL Paulista (SP): a tarifa subiu +65,4% em dez anos, +1,0% acima da inflação. O Fio B subiu +163,0%;
-
Light (RJ): a tarifa subiu +61,9% em dez anos, +0,3% acima da inflação. O Fio B subiu +93,7%.
Sul
-
RGE (RS): a tarifa subiu +127,3% em dez anos, +39,4% acima da inflação. O Fio B subiu +183,2%;
-
CEEE-D (RS): a tarifa subiu +107,1% em dez anos, +33,6% acima da inflação. O Fio B subiu +76,3%;
-
Copel (PR): a tarifa subiu +82,2% em dez anos, +11,7% acima da inflação. O Fio B subiu +97,0%;
-
Celesc (SC): a tarifa subiu +76,1% em dez anos, +9,3% acima da inflação. O Fio B subiu +45,5%.
As sete que mais que dobraram
Roraima Energia lidera, com +134,1%. Um cliente que pagava R$ 300 de tarifa em 2016 paga o equivalente a R$ 702 hoje, antes de tributos e bandeira. Vale a ressalva de que Roraima é um caso à parte: o estado só foi conectado ao sistema interligado nacional recentemente, depois de décadas de geração térmica isolada, e a tarifa carrega essa história.
Logo atrás vem a RGE, no Rio Grande do Sul, com +127,3%, e essa não tem nenhuma particularidade de sistema isolado: é uma concessionária grande, no Sul, em rede interligada. São +3,38% ao ano acima da inflação sustentados por dez anos.
Completam a lista Equatorial Piauí (+114,1%), Equatorial Goiás (+109,6%), CEA Equatorial (AP) (+107,8%), CEEE-D (RS) (+107,1%), Coelba (BA) (+103,9%).
Repare no efeito prático: quando a tarifa dobra em dez anos, o retorno de um projeto de geração própria encurta sozinho, sem ninguém precisar baixar o preço do equipamento.
As duas que ficaram abaixo da inflação
Em dez anos, só duas das 36 ficaram abaixo do IPCA.
Sulgipe, que atende municípios de Sergipe e da Bahia, subiu +32,1%, contra +57,6% de inflação: -16,2% em termos reais. E a Enel Ceará subiu +47,7%, contra +64,5% de IPCA, -10,3% abaixo da inflação.
Logo acima delas vêm Energisa Paraíba (+0,0%), Light (+0,3%) e CPFL Paulista (+1,0%), que não ficaram abaixo, mas praticamente empataram com a inflação.
Vale guardar esses casos justamente porque são a exceção: se o seu cliente é atendido por uma delas, o argumento da tarifa que dispara não funciona, e a conversa precisa ir para outro lugar, como qualidade de fornecimento, demanda contratada ou previsibilidade de custo.
O que subiu foi o fio, não a energia
Até aqui olhei a tarifa inteira. Mas a tarifa do Grupo B tem duas partes, e elas não andaram juntas nesses dez anos.
A TUSD paga a rede: fio, poste, transformador, perdas e boa parte dos encargos setoriais. A TE paga a energia em si. Separando as duas, na média das mesmas 36 distribuidoras:
-
TUSD: +149,3% em dez anos;
-
TE: +22,5% no mesmo período;
-
Tarifa cheia: +85,0%, que é a combinação das duas.
E isso não é tendência de maioria: a TUSD subiu mais que a TE em 36 das 36 distribuidoras, sem uma única exceção.
O efeito aparece no peso de cada parte dentro da conta. Em 2016 a TUSD era 49% da tarifa residencial. Hoje é 66%. O consumidor passou a pagar bem mais pela rede do que pela energia que consome.
A Enel Ceará é o melhor exemplo disso. A TE dela caiu em dez anos, enquanto a TUSD mais que dobrou. O total ficou baixo porque a energia barateou, não porque a rede parou de encarecer.
O Fio B e a cobrança sobre quem tem MMGD
Dentro da TUSD existe um componente específico, e é o que mais importa para quem trabalha com micro e minigeração distribuída: o Fio B. Ele remunera a rede de distribuição propriamente dita, os ativos locais que levam a energia até a unidade consumidora, e é publicado pela ANEEL em R$/MWh, separado dos demais componentes. Hoje ele é 32% da tarifa residencial cheia, na média.
Desde a Lei 14.300/2022, quem pediu conexão a partir de 7 de janeiro de 2023, a chamada GD II, paga um percentual crescente desse componente sobre a energia que compensa. Em 2026 são 60%, e a escada da lei vai até 90% em 2028.
O que os dez anos de histórico revelam, e que quase ninguém coloca na conta, é que não é só o percentual que sobe: a base também. Na média das 36 distribuidoras, o Fio B subiu +101,7% em dez anos, contra +85,0% da tarifa cheia. Em 22 das 36, subiu mais que a própria tarifa. Saiu de 138,91 R$/MWh em 2016 para 273,15 R$/MWh hoje.
E a dispersão entre distribuidoras é enorme: o Fio B mais alto é o da Energisa Tocantins, com 441,48 R$/MWh, e o mais baixo é o da Celesc, com 132,79. Para um cliente que compensa 1.000 kWh por mês em 2026, isso é a diferença entre pagar cerca de R$ 264,89 e R$ 79,67 por mês. Mesmo projeto, mesma geração, retornos diferentes só por causa da distribuidora.
Dois erros caros, então: usar um Fio B genérico no estudo, e projetar o Fio B de hoje congelado por 25 anos.
Esse assunto rende por si só, e tem um ponto em que quase todo mundo erra: o que acontece a partir de 2029.
E se o cliente for Grupo A? O problema é a demanda
Tudo até aqui foi tarifa residencial. Se o seu cliente é Grupo A, a conta é outra, e o resultado surpreende até quem acompanha o setor de perto.
Rodei as mesmas 36 distribuidoras, na mesma janela de dez anos, agora na referência A4 Verde, que é a mais comum entre clientes industriais e comerciais de média tensão:
-
Demanda: +152,9%;
-
Energia na ponta: +88,1%;
-
Energia fora ponta: +57,2%;
-
IPCA no mesmo período: +60,8%.
Leia de novo a terceira linha. A energia fora ponta, que é onde está a maior parte do consumo de um cliente Grupo A, subiu +57,2% contra +60,8% de inflação. Ou seja, ficou 2,1% abaixo da inflação. Em 17 das 36 distribuidoras, a energia fora ponta perdeu para o IPCA.
Enquanto isso, a demanda mais que dobrou em 29 das 36, e subiu mais que a energia fora ponta em 34 das 36. Em valores, a demanda média do A4 Verde saiu de R$ 11,90 por kW em 2016 para R$ 28,73 por kW hoje.
E não é só a demanda. A energia na ponta também subiu acima da inflação: +88,1% contra +60,8% do IPCA, ou +17,2% em termos reais, mais do que a própria tarifa residencial subiu. Ela ficou acima do IPCA em 26 das 36 distribuidoras.
A conclusão é direta: no Grupo A, o que encareceu não foi a energia que o cliente consome no dia a dia, foram as duas parcelas que dependem de gestão: o kW que ele contrata e a energia que ele puxa no horário de ponta.
| Distribuidora | Demanda(variação em 10 anos) | % em relação à inflação(IPCA) | Energia na ponta(no mesmo período) | Energia fora ponta(no mesmo período) |
|---|---|---|---|---|
| CEA Equatorial (AP) | +425,1% | +229,2% | +287,0% | +37,0% |
| Energisa Acre | +373,3% | +195,2% | +173,6% | -0,9% |
| Energisa Rondônia | +370,0% | +193,1% | +201,7% | -17,2% |
| Energisa Sul-Sudeste | +214,6% | +92,0% | +73,7% | +54,0% |
| RGE (RS) | +213,0% | +91,9% | +123,0% | +85,5% |
| Equatorial Piauí | +211,0% | +99,1% | +164,5% | +85,2% |
| Amazonas Energia | +203,1% | +88,9% | +100,9% | +42,0% |
| Roraima Energia | +201,5% | +93,3% | +144,2% | +132,1% |
| Energisa Mato Grosso | +180,1% | +71,1% | +72,6% | +36,6% |
| Cosern (RN) | +176,1% | +68,6% | +108,9% | +64,0% |
| Cemig (MG) | +162,4% | +60,5% | +95,4% | +47,8% |
| Coelba (BA) | +149,0% | +52,1% | +118,9% | +63,8% |
| Equatorial Goiás | +146,7% | +59,2% | +93,6% | +68,0% |
| Energisa Mato Grosso do Sul | +143,8% | +48,9% | +61,5% | +58,3% |
| CEEE-D (RS) | +140,7% | +55,3% | +83,5% | +86,2% |
| Copel (PR) | +139,9% | +47,1% | +87,0% | +58,4% |
| Enel SP | +137,7% | +46,4% | +102,9% | +65,7% |
| Neoenergia Brasília (DF) | +132,3% | +49,9% | +70,7% | +72,7% |
| Light (RJ) | +127,1% | +40,7% | +49,4% | +35,2% |
| Energisa Tocantins | +125,7% | +39,5% | +24,5% | +69,9% |
| Equatorial Alagoas | +125,1% | +39,7% | +93,9% | +49,0% |
| Equatorial Pará | +123,6% | +38,8% | +33,5% | +64,8% |
| Enel Rio | +123,2% | +36,4% | +59,7% | +56,4% |
| Celesc (SC) | +123,0% | +38,4% | +64,7% | +66,1% |
| EDP Espírito Santo | +122,5% | +38,1% | +28,4% | +70,1% |
| Neoenergia Elektro (SP) | +121,4% | +37,4% | +81,2% | +72,8% |
| CPFL Piratininga (SP) | +116,0% | +39,4% | +81,6% | +66,8% |
| Enel Ceará | +112,4% | +29,1% | +32,9% | +21,0% |
| CPFL Paulista (SP) | +103,8% | +24,5% | +71,7% | +30,1% |
| Energisa Sergipe | +88,3% | +15,0% | +78,0% | +69,8% |
| Energisa Minas Rio | +84,3% | +13,0% | +65,9% | +64,7% |
| Equatorial Maranhão | +76,8% | +9,7% | +72,1% | +73,5% |
| Energisa Paraíba | +76,7% | +9,7% | +28,9% | +58,8% |
| EDP São Paulo | +69,1% | +9,1% | +112,8% | +73,6% |
| Neoenergia Pernambuco | +64,9% | +0,7% | +27,9% | +44,9% |
| Sulgipe (SE/BA) | +0,4% | -36,3% | +2,3% | +32,0% |
| Média das 36 | +152,9% | +57,3% | +88,1% | +57,2% |
Os extremos impressionam. A CEA Equatorial (AP) subiu +425,1% na demanda, saindo de R$ 9,28 para R$ 48,73 por kW. Logo atrás vêm Energisa Acre (+373,3%) e Energisa Rondônia (+370,0%). No outro extremo, a Sulgipe praticamente não mexeu na demanda em dez anos: +0,4%.
Isso muda a conversa comercial com esse cliente. Quando a energia fica abaixo da inflação e a demanda dobra, o maior ganho não está necessariamente em gerar a própria energia: está em revisar a demanda contratada. Uma empresa que contratou demanda em 2016 e nunca mais mexeu está pagando duas vezes e meia mais pelo mesmo kW, e provavelmente contrata mais do que usa.
Na prática, isso abre três frentes que valem dinheiro antes mesmo de falar em painel solar: ajustar a demanda contratada ao perfil real de carga, eliminar ultrapassagem, e avaliar corte de ponta com baterias, que ataca justamente a parcela que mais subiu.
Referência desta tabela: A4 Verde, tarifa de aplicação sem tributos, demanda em R$/kW e energia em R$/MWh, com a mesma janela e a mesma base de dados da tabela residencial.
A conta que muda o seu estudo de viabilidade
Aqui está a parte que vale dinheiro para quem faz projeto, e que quase ninguém coloca na proposta.
Quando você monta um fluxo de caixa de geração própria, precisa projetar como a tarifa vai evoluir. A prática mais comum no mercado é corrigir pelo IPCA, porque parece conservador e ninguém questiona.
Os dez anos de histórico dizem que corrigir pelo IPCA subestima o retorno, na média, em 1,41 ponto percentual ao ano.
Parece pouco. Não é, quando você compõe por 25 anos, que é a vida útil de um projeto fotovoltaico:
-
+1,41% ao ano acima da inflação, por 25 anos, é +42% de tarifa real no fim do período;
-
+3,38% ao ano, o caso da RGE, é +129% de tarifa real em 25 anos.
Ou seja: o mesmo projeto, com a mesma geração, vale bem mais do que o seu estudo mostra, se o estudo congela a tarifa real.
Não estou dizendo para projetar 3% ao ano de ganho real e vender sonho. Estou dizendo para fazer os três cenários: tarifa corrigida só pelo IPCA, tarifa com o ganho real histórico da distribuidora do cliente, e um cenário intermediário. Mostre os três na proposta. É mais honesto do que escolher um e esconder os outros, e é muito mais convincente.
Na prática isso cabe em três linhas de uma tabela de retorno. O cliente vê o piso, o teto e o meio, entende que você não escolheu o número que te favorece, e a conversa sai do “confia em mim” para o “olha os cenários”.
Por que uma distribuidora sobe mais que a outra
Tarifa não é preço de mercado, é resultado de processo regulatório. E a diferença entre uma concessão e outra vem basicamente de quatro coisas: o tamanho do investimento reconhecido na base de remuneração, o nível de perdas, o perfil do mercado atendido e os componentes financeiros que cada distribuidora carrega de um ciclo para o outro.
É por isso que duas distribuidoras podem chegar a resultados tão diferentes no mesmo ano, sob a mesma regra.
Para o caso da distribuidora do seu cliente, o documento que abre essa conta é a nota técnica da revisão tarifária, publicada pela ANEEL junto com a resolução. Vale a leitura antes de qualquer conversa sobre reajuste com um cliente grande.
E o resultado agregado a base mostra sem ambiguidade: em quase todo o país, a energia ficou mais cara que a inflação, de forma consistente, por uma década.
Três ressalvas antes de usar esses números
Três ressalvas importantes, e elas mudam a forma de usar esses números na frente do cliente:
Sem tributos. ICMS, PIS e COFINS não estão na base da ANEEL (estamos falando de cerca de 25 a 30% a mais). Além disso, houve mudanças relevantes de tributação no período, como a exclusão do ICMS da base do PIS/COFINS e as mudanças de alíquota estadual a partir de 2021.
Sem bandeiras. O adicional de bandeira tarifária não entra na tarifa homologada (em 2026 a bandeira esteve acionada em pelo menos 50% do meses até então). Em anos de bandeira vermelha ou de escassez hídrica, o que o cliente pagou foi maior.
Janela por distribuidora. Cada uma tem o seu mês de reajuste, então as janelas variam entre 9,0 e 10,3 anos. O IPCA de cada distribuidora foi medido na mesma janela da tarifa dela, terminando na última vez em que aquela distribuidora reajustou de fato, e as taxas ao ano foram anualizadas, justamente para que a comparação continue válida.
Quer esse histórico pronto, para a distribuidora do seu cliente?
Este levantamento eu montei na mão: 36 distribuidoras, uma referência de tarifa, dez anos de vigências comparadas uma a uma, mais o Fio B de cada vigência. Dá trabalho, e eu não faria isso toda vez que precisasse responder a um cliente.
Na Comunidade Energês existe uma ferramenta que faz esse trabalho por você: escolhe a distribuidora e vê o histórico ano a ano, com TUSD, TE e Fio B separados, pronto para entrar no estudo de viabilidade ou na conversa sobre reajuste.
É a diferença entre levar uma média nacional para a reunião e levar a curva da distribuidora que atende aquele cliente, com o número de cada ano na mão.

Conheça a Comunidade Energês.
Conclusão
Quando o cliente disser que a luz só aumenta, você agora tem o número: na média, 85% em dez anos, com a inflação em 61%.
E quando ele perguntar se vale a pena investir em geração própria, você tem o argumento que quase ninguém usa: não é só o preço de hoje que justifica o projeto. É a tendência de dez anos, medida, na base da própria agência reguladora. Com a ressalva honesta de que o Fio B também sobe, e mais rápido, então a conta precisa dos dois lados.
E se ele quiser conferir, pode: está tudo público e de graça, na base da ANEEL.
Fontes: ANEEL, outubro de 2026. IBGE, setembro de 2026.