Quanto subiu a energia nos últimos 10 anos, distribuidora por distribuidora

“A luz só aumenta.” Todo cliente diz essa frase, normalmente no meio de uma reunião sobre outra coisa. E quase sempre a resposta que nós damos é genérica: encargos, bandeira, custo de geração.

O problema é que resposta genérica não sustenta proposta. Quando o cliente pergunta se vale a pena investir em geração própria, no fundo ele está perguntando se a energia vai continuar subindo. E isso tem resposta medida.

Resolvi medir, e medir tudo. Peguei a base de tarifas homologadas da ANEEL, selecionei as 36 concessionárias de distribuição que atendem os grandes centros urbanos de todos os estados do país e comparei a tarifa residencial de 2016 com a de 2026. Depois coloquei o IPCA do mesmo período ao lado, com o número-índice do IBGE, e separei o Fio B, que é a parte da conta que mais interessa a quem trabalha com geração distribuída. No fim, refiz tudo para o Grupo A, e ali o resultado é bem diferente.

O cliente está certo. E o tamanho da diferença é maior do que eu esperava.

O número que resume dez anos

Na média das 36 distribuidoras:

  • Tarifa: +85,0% em dez anos, ou +6,47% ao ano;

  • IPCA no mesmo período: +60,8%, ou +4,99% ao ano;

  • Acima da inflação: +15,1% acumulado, ou +1,41% ao ano;

  • Fio B: +101,7%, quase o dobro da alta da tarifa cheia.

34 das 36 subiram acima da inflação. Só duas ficaram abaixo. E sete mais que dobraram em dez anos.

O que chama atenção não é o tamanho de um número isolado, é a consistência. Não foi um ano ruim puxando a média: foi uma década inteira em que a tarifa correu na frente do IPCA, atravessando crise hídrica, pandemia, a privatização de boa parte do setor e duas mudanças grandes de regra na geração distribuída.

A tabela completa

Referência: B1 residencial, modalidade convencional, TUSD mais TE, tarifa de aplicação sem tributos. A comparação vai da primeira vigência de cada distribuidora a partir de 2016 até a vigência atual.

Distribuidora Reajuste de 2026(em branco: ainda não reajustou) Variação nos últimos 10 anos % em relação à inflação(IPCA) Fio B(variação no mesmo período)
Roraima Energia 25/01/2026 +134,1% +50,0% +94,3%
RGE (RS) 19/06/2026 +127,3% +39,4% +183,2%
Equatorial Piauí +114,1% +37,1% +126,7%
Equatorial Goiás +109,6% +35,3% +136,5%
CEA Equatorial (AP) 13/04/2026 +107,8% +30,3% +246,1%
CEEE-D (RS) +107,1% +33,6% +76,3%
Coelba (BA) 22/04/2026 +103,9% +24,6% +128,7%
Neoenergia Elektro (SP) 27/08/2026 +99,1% +23,5% +72,5%
Energisa Mato Grosso do Sul 22/04/2026 +97,6% +20,7% +139,3%
Equatorial Alagoas 03/05/2026 +96,4% +21,9% +103,5%
Enel Rio 15/03/2026 +95,8% +19,6% +140,7%
EDP São Paulo +95,2% +26,0% +92,3%
Enel SP 04/07/2026 +95,2% +20,2% +126,0%
Cosern (RN) 22/04/2026 +91,4% +16,9% +108,6%
Energisa Tocantins 26/08/2026 +88,8% +16,7% +88,0%
Energisa Sul-Sudeste 12/07/2026 +86,5% +13,8% +87,9%
EDP Espírito Santo 07/08/2026 +85,5% +15,1% +71,4%
Equatorial Pará 07/08/2026 +84,5% +14,5% +74,5%
Copel (PR) 24/06/2026 +82,2% +11,7% +97,0%
Energisa Minas Rio 22/06/2026 +81,3% +11,2% +91,7%
Neoenergia Pernambuco 29/04/2026 +81,1% +10,6% +91,7%
Neoenergia Brasília (DF) +80,9% +16,7% +34,6%
CPFL Piratininga (SP) +79,9% +16,1% +82,8%
Equatorial Maranhão 28/08/2026 +77,2% +10,0% +52,5%
Energisa Mato Grosso 08/04/2026 +77,2% +8,2% +130,7%
Celesc (SC) 22/08/2026 +76,1% +9,3% +45,5%
Energisa Sergipe 22/04/2026 +74,5% +6,6% +48,8%
Cemig (MG) 28/05/2026 +70,0% +4,1% +65,0%
Energisa Rondônia 26/08/2026 +65,4% +3,2% +222,1%
CPFL Paulista (SP) 08/04/2026 +65,4% +1,0% +163,0%
Energisa Acre 26/08/2026 +65,0% +2,9% +89,2%
Light (RJ) 15/03/2026 +61,9% +0,3% +93,7%
Amazonas Energia 26/05/2026 +61,7% +0,8% +116,3%
Energisa Paraíba 28/08/2026 +61,2% +0,0% +41,1%
Enel Ceará 26/08/2026 +47,7% -10,3% +75,8%
Sulgipe (SE/BA) 26/08/2026 +32,1% -16,2% +23,8%
Média das 36 +85,0% +15,1% +101,7%

Repare na coluna de data: seis distribuidoras aparecem em branco porque ainda não reajustaram em 2026. A tarifa delas na tabela é a de 2025, e elas mudam nas próximas semanas ou meses.

Quanto subiu a energia de cada distribuidora

Se você só quer o número da distribuidora que atende o seu cliente, está aqui, estado por estado. Em todos os casos é a tarifa residencial B1 convencional, sem tributos e sem bandeira, comparando 2016 com a vigência atual.

Norte

  • Roraima Energia: a tarifa subiu +134,1% em dez anos, +50,0% acima da inflação. O Fio B subiu +94,3%;

  • CEA Equatorial (AP): a tarifa subiu +107,8% em dez anos, +30,3% acima da inflação. O Fio B subiu +246,1%;

  • Energisa Tocantins: a tarifa subiu +88,8% em dez anos, +16,7% acima da inflação. O Fio B subiu +88,0%;

  • Equatorial Pará: a tarifa subiu +84,5% em dez anos, +14,5% acima da inflação. O Fio B subiu +74,5%;

  • Energisa Rondônia: a tarifa subiu +65,4% em dez anos, +3,2% acima da inflação. O Fio B subiu +222,1%;

  • Energisa Acre: a tarifa subiu +65,0% em dez anos, +2,9% acima da inflação. O Fio B subiu +89,2%;

  • Amazonas Energia: a tarifa subiu +61,7% em dez anos, +0,8% acima da inflação. O Fio B subiu +116,3%.

Nordeste

  • Equatorial Piauí: a tarifa subiu +114,1% em dez anos, +37,1% acima da inflação. O Fio B subiu +126,7%;

  • Coelba (BA): a tarifa subiu +103,9% em dez anos, +24,6% acima da inflação. O Fio B subiu +128,7%;

  • Equatorial Alagoas: a tarifa subiu +96,4% em dez anos, +21,9% acima da inflação. O Fio B subiu +103,5%;

  • Cosern (RN): a tarifa subiu +91,4% em dez anos, +16,9% acima da inflação. O Fio B subiu +108,6%;

  • Neoenergia Pernambuco: a tarifa subiu +81,1% em dez anos, +10,6% acima da inflação. O Fio B subiu +91,7%;

  • Equatorial Maranhão: a tarifa subiu +77,2% em dez anos, +10,0% acima da inflação. O Fio B subiu +52,5%;

  • Energisa Sergipe: a tarifa subiu +74,5% em dez anos, +6,6% acima da inflação. O Fio B subiu +48,8%;

  • Energisa Paraíba: a tarifa subiu +61,2% em dez anos, praticamente empatando com a inflação. O Fio B subiu +41,1%;

  • Enel Ceará: a tarifa subiu +47,7% em dez anos, 10,3% abaixo da inflação. O Fio B subiu +75,8%;

  • Sulgipe (SE/BA): a tarifa subiu +32,1% em dez anos, 16,2% abaixo da inflação. O Fio B subiu +23,8%.

Centro-Oeste

  • Equatorial Goiás: a tarifa subiu +109,6% em dez anos, +35,3% acima da inflação. O Fio B subiu +136,5%;

  • Energisa Mato Grosso do Sul: a tarifa subiu +97,6% em dez anos, +20,7% acima da inflação. O Fio B subiu +139,3%;

  • Neoenergia Brasília (DF): a tarifa subiu +80,9% em dez anos, +16,7% acima da inflação. O Fio B subiu +34,6%;

  • Energisa Mato Grosso: a tarifa subiu +77,2% em dez anos, +8,2% acima da inflação. O Fio B subiu +130,7%.

Sudeste

  • Neoenergia Elektro (SP): a tarifa subiu +99,1% em dez anos, +23,5% acima da inflação. O Fio B subiu +72,5%;

  • Enel Rio: a tarifa subiu +95,8% em dez anos, +19,6% acima da inflação. O Fio B subiu +140,7%;

  • EDP São Paulo: a tarifa subiu +95,2% em dez anos, +26,0% acima da inflação. O Fio B subiu +92,3%;

  • Enel SP: a tarifa subiu +95,2% em dez anos, +20,2% acima da inflação. O Fio B subiu +126,0%;

  • Energisa Sul-Sudeste: a tarifa subiu +86,5% em dez anos, +13,8% acima da inflação. O Fio B subiu +87,9%;

  • EDP Espírito Santo: a tarifa subiu +85,5% em dez anos, +15,1% acima da inflação. O Fio B subiu +71,4%;

  • Energisa Minas Rio: a tarifa subiu +81,3% em dez anos, +11,2% acima da inflação. O Fio B subiu +91,7%;

  • CPFL Piratininga (SP): a tarifa subiu +79,9% em dez anos, +16,1% acima da inflação. O Fio B subiu +82,8%;

  • Cemig (MG): a tarifa subiu +70,0% em dez anos, +4,1% acima da inflação. O Fio B subiu +65,0%;

  • CPFL Paulista (SP): a tarifa subiu +65,4% em dez anos, +1,0% acima da inflação. O Fio B subiu +163,0%;

  • Light (RJ): a tarifa subiu +61,9% em dez anos, +0,3% acima da inflação. O Fio B subiu +93,7%.

Sul

  • RGE (RS): a tarifa subiu +127,3% em dez anos, +39,4% acima da inflação. O Fio B subiu +183,2%;

  • CEEE-D (RS): a tarifa subiu +107,1% em dez anos, +33,6% acima da inflação. O Fio B subiu +76,3%;

  • Copel (PR): a tarifa subiu +82,2% em dez anos, +11,7% acima da inflação. O Fio B subiu +97,0%;

  • Celesc (SC): a tarifa subiu +76,1% em dez anos, +9,3% acima da inflação. O Fio B subiu +45,5%.

As sete que mais que dobraram

Roraima Energia lidera, com +134,1%. Um cliente que pagava R$ 300 de tarifa em 2016 paga o equivalente a R$ 702 hoje, antes de tributos e bandeira. Vale a ressalva de que Roraima é um caso à parte: o estado só foi conectado ao sistema interligado nacional recentemente, depois de décadas de geração térmica isolada, e a tarifa carrega essa história.

Logo atrás vem a RGE, no Rio Grande do Sul, com +127,3%, e essa não tem nenhuma particularidade de sistema isolado: é uma concessionária grande, no Sul, em rede interligada. São +3,38% ao ano acima da inflação sustentados por dez anos.

Completam a lista Equatorial Piauí (+114,1%), Equatorial Goiás (+109,6%), CEA Equatorial (AP) (+107,8%), CEEE-D (RS) (+107,1%), Coelba (BA) (+103,9%).

Repare no efeito prático: quando a tarifa dobra em dez anos, o retorno de um projeto de geração própria encurta sozinho, sem ninguém precisar baixar o preço do equipamento.

As duas que ficaram abaixo da inflação

Em dez anos, só duas das 36 ficaram abaixo do IPCA.

Sulgipe, que atende municípios de Sergipe e da Bahia, subiu +32,1%, contra +57,6% de inflação: -16,2% em termos reais. E a Enel Ceará subiu +47,7%, contra +64,5% de IPCA, -10,3% abaixo da inflação.

Logo acima delas vêm Energisa Paraíba (+0,0%), Light (+0,3%) e CPFL Paulista (+1,0%), que não ficaram abaixo, mas praticamente empataram com a inflação.

Vale guardar esses casos justamente porque são a exceção: se o seu cliente é atendido por uma delas, o argumento da tarifa que dispara não funciona, e a conversa precisa ir para outro lugar, como qualidade de fornecimento, demanda contratada ou previsibilidade de custo.

O que subiu foi o fio, não a energia

Até aqui olhei a tarifa inteira. Mas a tarifa do Grupo B tem duas partes, e elas não andaram juntas nesses dez anos.

A TUSD paga a rede: fio, poste, transformador, perdas e boa parte dos encargos setoriais. A TE paga a energia em si. Separando as duas, na média das mesmas 36 distribuidoras:

  • TUSD: +149,3% em dez anos;

  • TE: +22,5% no mesmo período;

  • Tarifa cheia: +85,0%, que é a combinação das duas.

E isso não é tendência de maioria: a TUSD subiu mais que a TE em 36 das 36 distribuidoras, sem uma única exceção.

O efeito aparece no peso de cada parte dentro da conta. Em 2016 a TUSD era 49% da tarifa residencial. Hoje é 66%. O consumidor passou a pagar bem mais pela rede do que pela energia que consome.

A Enel Ceará é o melhor exemplo disso. A TE dela caiu em dez anos, enquanto a TUSD mais que dobrou. O total ficou baixo porque a energia barateou, não porque a rede parou de encarecer.

O Fio B e a cobrança sobre quem tem MMGD

Dentro da TUSD existe um componente específico, e é o que mais importa para quem trabalha com micro e minigeração distribuída: o Fio B. Ele remunera a rede de distribuição propriamente dita, os ativos locais que levam a energia até a unidade consumidora, e é publicado pela ANEEL em R$/MWh, separado dos demais componentes. Hoje ele é 32% da tarifa residencial cheia, na média.

Desde a Lei 14.300/2022, quem pediu conexão a partir de 7 de janeiro de 2023, a chamada GD II, paga um percentual crescente desse componente sobre a energia que compensa. Em 2026 são 60%, e a escada da lei vai até 90% em 2028.

O que os dez anos de histórico revelam, e que quase ninguém coloca na conta, é que não é só o percentual que sobe: a base também. Na média das 36 distribuidoras, o Fio B subiu +101,7% em dez anos, contra +85,0% da tarifa cheia. Em 22 das 36, subiu mais que a própria tarifa. Saiu de 138,91 R$/MWh em 2016 para 273,15 R$/MWh hoje.

E a dispersão entre distribuidoras é enorme: o Fio B mais alto é o da Energisa Tocantins, com 441,48 R$/MWh, e o mais baixo é o da Celesc, com 132,79. Para um cliente que compensa 1.000 kWh por mês em 2026, isso é a diferença entre pagar cerca de R$ 264,89 e R$ 79,67 por mês. Mesmo projeto, mesma geração, retornos diferentes só por causa da distribuidora.

Dois erros caros, então: usar um Fio B genérico no estudo, e projetar o Fio B de hoje congelado por 25 anos.

Esse assunto rende por si só, e tem um ponto em que quase todo mundo erra: o que acontece a partir de 2029.

E se o cliente for Grupo A? O problema é a demanda

Tudo até aqui foi tarifa residencial. Se o seu cliente é Grupo A, a conta é outra, e o resultado surpreende até quem acompanha o setor de perto.

Rodei as mesmas 36 distribuidoras, na mesma janela de dez anos, agora na referência A4 Verde, que é a mais comum entre clientes industriais e comerciais de média tensão:

  • Demanda: +152,9%;

  • Energia na ponta: +88,1%;

  • Energia fora ponta: +57,2%;

  • IPCA no mesmo período: +60,8%.

Leia de novo a terceira linha. A energia fora ponta, que é onde está a maior parte do consumo de um cliente Grupo A, subiu +57,2% contra +60,8% de inflação. Ou seja, ficou 2,1% abaixo da inflação. Em 17 das 36 distribuidoras, a energia fora ponta perdeu para o IPCA.

Enquanto isso, a demanda mais que dobrou em 29 das 36, e subiu mais que a energia fora ponta em 34 das 36. Em valores, a demanda média do A4 Verde saiu de R$ 11,90 por kW em 2016 para R$ 28,73 por kW hoje.

E não é só a demanda. A energia na ponta também subiu acima da inflação: +88,1% contra +60,8% do IPCA, ou +17,2% em termos reais, mais do que a própria tarifa residencial subiu. Ela ficou acima do IPCA em 26 das 36 distribuidoras.

A conclusão é direta: no Grupo A, o que encareceu não foi a energia que o cliente consome no dia a dia, foram as duas parcelas que dependem de gestão: o kW que ele contrata e a energia que ele puxa no horário de ponta.

Distribuidora Demanda(variação em 10 anos) % em relação à inflação(IPCA) Energia na ponta(no mesmo período) Energia fora ponta(no mesmo período)
CEA Equatorial (AP) +425,1% +229,2% +287,0% +37,0%
Energisa Acre +373,3% +195,2% +173,6% -0,9%
Energisa Rondônia +370,0% +193,1% +201,7% -17,2%
Energisa Sul-Sudeste +214,6% +92,0% +73,7% +54,0%
RGE (RS) +213,0% +91,9% +123,0% +85,5%
Equatorial Piauí +211,0% +99,1% +164,5% +85,2%
Amazonas Energia +203,1% +88,9% +100,9% +42,0%
Roraima Energia +201,5% +93,3% +144,2% +132,1%
Energisa Mato Grosso +180,1% +71,1% +72,6% +36,6%
Cosern (RN) +176,1% +68,6% +108,9% +64,0%
Cemig (MG) +162,4% +60,5% +95,4% +47,8%
Coelba (BA) +149,0% +52,1% +118,9% +63,8%
Equatorial Goiás +146,7% +59,2% +93,6% +68,0%
Energisa Mato Grosso do Sul +143,8% +48,9% +61,5% +58,3%
CEEE-D (RS) +140,7% +55,3% +83,5% +86,2%
Copel (PR) +139,9% +47,1% +87,0% +58,4%
Enel SP +137,7% +46,4% +102,9% +65,7%
Neoenergia Brasília (DF) +132,3% +49,9% +70,7% +72,7%
Light (RJ) +127,1% +40,7% +49,4% +35,2%
Energisa Tocantins +125,7% +39,5% +24,5% +69,9%
Equatorial Alagoas +125,1% +39,7% +93,9% +49,0%
Equatorial Pará +123,6% +38,8% +33,5% +64,8%
Enel Rio +123,2% +36,4% +59,7% +56,4%
Celesc (SC) +123,0% +38,4% +64,7% +66,1%
EDP Espírito Santo +122,5% +38,1% +28,4% +70,1%
Neoenergia Elektro (SP) +121,4% +37,4% +81,2% +72,8%
CPFL Piratininga (SP) +116,0% +39,4% +81,6% +66,8%
Enel Ceará +112,4% +29,1% +32,9% +21,0%
CPFL Paulista (SP) +103,8% +24,5% +71,7% +30,1%
Energisa Sergipe +88,3% +15,0% +78,0% +69,8%
Energisa Minas Rio +84,3% +13,0% +65,9% +64,7%
Equatorial Maranhão +76,8% +9,7% +72,1% +73,5%
Energisa Paraíba +76,7% +9,7% +28,9% +58,8%
EDP São Paulo +69,1% +9,1% +112,8% +73,6%
Neoenergia Pernambuco +64,9% +0,7% +27,9% +44,9%
Sulgipe (SE/BA) +0,4% -36,3% +2,3% +32,0%
Média das 36 +152,9% +57,3% +88,1% +57,2%

Os extremos impressionam. A CEA Equatorial (AP) subiu +425,1% na demanda, saindo de R$ 9,28 para R$ 48,73 por kW. Logo atrás vêm Energisa Acre (+373,3%) e Energisa Rondônia (+370,0%). No outro extremo, a Sulgipe praticamente não mexeu na demanda em dez anos: +0,4%.

Isso muda a conversa comercial com esse cliente. Quando a energia fica abaixo da inflação e a demanda dobra, o maior ganho não está necessariamente em gerar a própria energia: está em revisar a demanda contratada. Uma empresa que contratou demanda em 2016 e nunca mais mexeu está pagando duas vezes e meia mais pelo mesmo kW, e provavelmente contrata mais do que usa.

Na prática, isso abre três frentes que valem dinheiro antes mesmo de falar em painel solar: ajustar a demanda contratada ao perfil real de carga, eliminar ultrapassagem, e avaliar corte de ponta com baterias, que ataca justamente a parcela que mais subiu.

Referência desta tabela: A4 Verde, tarifa de aplicação sem tributos, demanda em R$/kW e energia em R$/MWh, com a mesma janela e a mesma base de dados da tabela residencial.

A conta que muda o seu estudo de viabilidade

Aqui está a parte que vale dinheiro para quem faz projeto, e que quase ninguém coloca na proposta.

Quando você monta um fluxo de caixa de geração própria, precisa projetar como a tarifa vai evoluir. A prática mais comum no mercado é corrigir pelo IPCA, porque parece conservador e ninguém questiona.

Os dez anos de histórico dizem que corrigir pelo IPCA subestima o retorno, na média, em 1,41 ponto percentual ao ano.

Parece pouco. Não é, quando você compõe por 25 anos, que é a vida útil de um projeto fotovoltaico:

  • +1,41% ao ano acima da inflação, por 25 anos, é +42% de tarifa real no fim do período;

  • +3,38% ao ano, o caso da RGE, é +129% de tarifa real em 25 anos.

Ou seja: o mesmo projeto, com a mesma geração, vale bem mais do que o seu estudo mostra, se o estudo congela a tarifa real.

Não estou dizendo para projetar 3% ao ano de ganho real e vender sonho. Estou dizendo para fazer os três cenários: tarifa corrigida só pelo IPCA, tarifa com o ganho real histórico da distribuidora do cliente, e um cenário intermediário. Mostre os três na proposta. É mais honesto do que escolher um e esconder os outros, e é muito mais convincente.

Na prática isso cabe em três linhas de uma tabela de retorno. O cliente vê o piso, o teto e o meio, entende que você não escolheu o número que te favorece, e a conversa sai do “confia em mim” para o “olha os cenários”.

Por que uma distribuidora sobe mais que a outra

Tarifa não é preço de mercado, é resultado de processo regulatório. E a diferença entre uma concessão e outra vem basicamente de quatro coisas: o tamanho do investimento reconhecido na base de remuneração, o nível de perdas, o perfil do mercado atendido e os componentes financeiros que cada distribuidora carrega de um ciclo para o outro.

É por isso que duas distribuidoras podem chegar a resultados tão diferentes no mesmo ano, sob a mesma regra.

Para o caso da distribuidora do seu cliente, o documento que abre essa conta é a nota técnica da revisão tarifária, publicada pela ANEEL junto com a resolução. Vale a leitura antes de qualquer conversa sobre reajuste com um cliente grande.

E o resultado agregado a base mostra sem ambiguidade: em quase todo o país, a energia ficou mais cara que a inflação, de forma consistente, por uma década.

Três ressalvas antes de usar esses números

Três ressalvas importantes, e elas mudam a forma de usar esses números na frente do cliente:

Sem tributos. ICMS, PIS e COFINS não estão na base da ANEEL (estamos falando de cerca de 25 a 30% a mais). Além disso, houve mudanças relevantes de tributação no período, como a exclusão do ICMS da base do PIS/COFINS e as mudanças de alíquota estadual a partir de 2021.

Sem bandeiras. O adicional de bandeira tarifária não entra na tarifa homologada (em 2026 a bandeira esteve acionada em pelo menos 50% do meses até então). Em anos de bandeira vermelha ou de escassez hídrica, o que o cliente pagou foi maior.

Janela por distribuidora. Cada uma tem o seu mês de reajuste, então as janelas variam entre 9,0 e 10,3 anos. O IPCA de cada distribuidora foi medido na mesma janela da tarifa dela, terminando na última vez em que aquela distribuidora reajustou de fato, e as taxas ao ano foram anualizadas, justamente para que a comparação continue válida.

Quer esse histórico pronto, para a distribuidora do seu cliente?

Este levantamento eu montei na mão: 36 distribuidoras, uma referência de tarifa, dez anos de vigências comparadas uma a uma, mais o Fio B de cada vigência. Dá trabalho, e eu não faria isso toda vez que precisasse responder a um cliente.

Na Comunidade Energês existe uma ferramenta que faz esse trabalho por você: escolhe a distribuidora e vê o histórico ano a ano, com TUSD, TE e Fio B separados, pronto para entrar no estudo de viabilidade ou na conversa sobre reajuste.

É a diferença entre levar uma média nacional para a reunião e levar a curva da distribuidora que atende aquele cliente, com o número de cada ano na mão.

Ferramenta da Comunidade Energês mostrando o histórico de tarifas da distribuidora, com a série desde 2010

Conheça a Comunidade Energês.

Conclusão

Quando o cliente disser que a luz só aumenta, você agora tem o número: na média, 85% em dez anos, com a inflação em 61%.

E quando ele perguntar se vale a pena investir em geração própria, você tem o argumento que quase ninguém usa: não é só o preço de hoje que justifica o projeto. É a tendência de dez anos, medida, na base da própria agência reguladora. Com a ressalva honesta de que o Fio B também sobe, e mais rápido, então a conta precisa dos dois lados.

E se ele quiser conferir, pode: está tudo público e de graça, na base da ANEEL.

Fontes: ANEEL, outubro de 2026. IBGE, setembro de 2026.

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Conceitos iniciais. Conhecimento de Coletores e Boilers. Projeto SAS - Sistema de Aquecimento Solar. Planilha de Dimensionamento Aquecimento Solar. Como Dimensionar projeto SAS. Aquecimento Solar e Aquecimento Piscina. MasterClass de Aquecimento Solar.

Energia Fotovoltaica

Principais Conceitos. Conhecimento de equipamentos de usinas FV. Visita Técnica, Solicitação de Acesso, Solicitação de Vistoria. Comissionamento. Licenciamento Ambiental SC. Erros em sistemas FV. Usinas Solares Centralizadas (Outorga ANEEL e Medição de dados Solarimétricos). Como dimensionar um sistema conectado à rede. Dimensionamento de sistema Off-grid. Planilha de Dimensionamento On-grid. Vendas. Estudos Econômicos e Fluxo de Caixa Grandes Usinas na GD.

Eficiência Energética

Práticas de Eficiência Energética. Como fazer uma Auditoria Energética. Eficiência aplicada na iluminação. Planilha de Eficiência Energética para substituição de lâmpadas. Planilha de Gestão e Análise de Modalidades Tarifárias. Eficiência aplicada às edificações. Gestão de Energia (ISO 50.001).

Tarifa e Fatura de Energia

Manual da Conta de Energia. Minicurso Estrutura Tarifária. Estrutura e Composição Tarifária. Planilha de Modalidade Tarifária. Gestão de Energia no Agronegócio.

Energia Eólica

Conceitos iniciais. Medição de Dados Anemométricos. Potência do Vento. Materiais e propriedades construtivas do Aerogerador. Outorga e Implantação de usina eólica. Planilhas de Prospecção de Potencial Energético (usando dados de medição de vento real e dados de vento estimados do local).

Biomassa

Introdução, Conceitos, Tipo, Conversão e Usos da Biomassa. Como fazer cálculo de produção de biogás. Planilha de Geração de Biogás de Suínos, de Aterro Sanitário e de Efluentes. Dimensionamento Biodigestores. Outorga ANEEL.

Energia Hidrelétrica

Conceitos iniciais. Componentes de uma Usina e Medição de dados Fluviométricos. Processo de Outorga de Água. Usos da Água. Projeto Básico. Etapas de Projeto Básico. Prospecção de Potencial Energético (Planilha cálculo para CGH). Planilha de potência mecânica e elétrica. Estudos Econômicos e Fluxo de Caixa de Usinas.

Energias Renováveis e Carreira

Introdução às Energias Renováveis. Energia Geotérmica. Energia Maremotriz e das Ondas. Performance de Sistemas de Geração de Energia. Oportunidades na prática no setor. Como descobrir o melhor cargo para você conforme sua personalidade. Características e ferramentas para ser um profissional valorizado. Jornada do Profissional de Energia. Maratona do Profissional de Energia.

Novas Tecnologias


Energia Eólica Off-Shore. Hidrogênio Verde. Armazenamento de energia - baterias. Planilha de baterias para sistemas off-grid e para sistemas híbridos. Mercado de Carbono. Implantação de ESG. Planilha de baterias para sistemas off-grid e para sistemas híbridos

Curso Carregadores Elétricos – Sua nova fonte de renda

Setor Elétrico e Geração Distribuída

Introdução ao setor elétrico. Conhecendo órgãos regulamentadores do setor. Agenda regulatória da Aneel. Desmitificando conceitos complexos e temas polêmicos (Garantia de Suprimento, PLD horário, Separação Lastro e Energia, GSF...). Planilha de Estudos Econômicos Financeiros. Modernização do setor elétrico. Processo de Compensação de Energia. Novas Regras da Geração Distribuída (Lei 14.300/2022). Resolução 1000/2021. Planilha para cálculo de Simultaneidade. Performance de sistemas de geração de energia: Fator de Capacidade e PR. Planilha de cálculo Fator de Capacidade.

Mercado Livre de Energia

Conceitos iniciais. Processo de Abertura do Mercado Livre. Por dentro de uma Comercializadora de Energia (Front, Back e Middle Office). Migração para o Mercado Livre. Planilha de Estudo de Viabilidade para Mercado Livre. Processo de Adesão na CCEE. Geradores de Energia (Produtor Independente e Autoprodutor).