(Cartilha do Setor Elétrico)

Quando falamos em SEB – Setor Elétrico Brasileiro, o assunto pode ir longe e pode ser bem complexo.

E o meu objetivo aqui? Como sempre simplificar.

Você vai encontrar um texto mas também vai encontrar um material que elaborei que ficou muito bacana: A CARTILHA DO SETOR ELÉTRICO – VISÃO ENERGÊS, ou seja, uma visão fácil de entender. A cartilha é recheada de esquemas e desenhos, faz o download e depois me diz o que você achou.

Como eu vim aqui para ser bem objetiva com você, vamos ver o que realmente (eu considero) relevante para que você entenda como tudo funciona.

Primeiro pense no Brasil:

  • Área: 8.514.215,3 km².
  • População: 209 milhões de habitantes.
  • Municípios: 5.570 ao todo.
  • Mais de 80 milhões de unidades consumidoras de energia.

 É um grande desafio levar energia para tanta gente, não é?

Eu resumi aqui, os dados importantes sobre o Setor Elétrico para você, seja entusiasta ou seja amante da energia, que quer entender um pouco mais sobre esse universo magnífico, que é o da Energia.

Vamos entender esse quebra-cabeça?

POR ONDE COMEÇAR

Primeiramente é importante entender a configuração geral do Setor Elétrico Brasileiro, veja abaixo, mas não se desespere, vamos avaliar cada ponto com calma.

Hoje o setor elétrico se divide em 2 ambientes:

  • Ambiente Regulado: Representa 70% de toda a energia elétrica consumida no país;
  • Ambiente Livre: Representa 30% de toda a energia elétrica consumida no país.

Olha esse esquema que criei para que você tenha uma visão geral e entenda as principais diferenças entre esses dois ambientes:

Veja que, no sistema físico nada muda, a energia faz o mesmo trajeto.

Já na questão comercial, os consumidores livres podem negociar energia diretamente com os geradores e/ou comercializadores, pagando assim uma fatura para a energia e uma para o transporte (distribuidora).

Então, como visto acima nesses 2 ambientes temos os participantes, que são chamados de AGENTES, são eles:

  • Geradores;
  • Transmissores;
  • Distribuidores;
  • Comercializadores e
  • Consumidores.

E também temos as instituições de energia no país que são:

  • CNPE: Conselho Nacional de Política Energética;
  • MME: Ministério de Minas e Energia;
  • CMSE: Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico;
  • EPE: Empresa Nacional de Pesquisa Energética;
  • ANEEL: Agência Nacional de Energia Elétrica;
  • ONS: Operador Nacional do Sistema Elétrico e
  • CCEE: Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

Com todos eles temos a composição básica do Setor Elétrico Brasileiro.
Vamos entender melhor sobre cada agente e ainda analisar o fluxo da energia, as questões contratuais e as responsabilidades destes participantes em todo o processo.

AGENTES DO SETOR ELÉTRICO

Já que os agentes são as peças fundamentais do setor elétrico vamos entender cada um dos 5 (1 – Geradores, 2 – Transmissores, 3 – Distribuidores, 4 – Comercializadores, 5 – Consumidores).

1 – GERADORES

A geração de energia é o início de tudo, as usinas desempenham o papel de fornecer energia através das diversas fontes, a partir desta fonte (seja renovável ou não) utilizam-se equipamentos para converte-la em energia elétrica.

As usinas estão espalhadas por todo o país e têm tamanhos variados.

A fonte mais predominante no Brasil é a hídrica, mas a inserção das novas renováveis, como eólica e solar está cada vez maior.

As usinas existentes no Brasil são classificadas assim:

– CGHs: Centrais Geradoras Hidrelétricas
Utilizam a energia hidráulica (dos rios);
Potência de até 5 MW.

– PCHs: Pequenas Centrais Hidrelétricas
Utilizam a energia hidráulica (dos rios);
Potência de 5 até 30 MW.

– UHEs: Usinas Hidrelétricas
Utilizam a energia hidráulica (dos rios);
Potência acima de 30 MW.

– EOLs: Usinas Eólicas
Utilizam a força dos ventos.

– UFVs: Usinas Fotovoltaicas
Utilizam a energia recebida diretamente do Sol.

– UTEs: Usinas Termelétricas
Utilizam a energia da combustão de combustível fóssil ou biomassa.

– UTNs: Usinas Termonucleares
Utilizam a energia térmica liberada em reações nucleares.

– CGU: Central Geradora Undi-elétrica
Há uma única (e pequena) no Brasil que utiliza a energia obtida pela cinética das ondas do mar.

Confira a participação e potência dessas fontes na Matriz Elétrica Brasileira, segundo o banco de informações da Aneel:

Fonte: Aneel, 2020.

2 – TRANSMISSORES

Agora podemos falar da segunda etapa do fluxo de energia que é a transmissão, também chamada de rede básica.

O nível de TENSÃO da energia elétrica é elevado após ser gerado nas usinas por meio de subestações elevadoras, as linhas da rede básica têm de 230 kV a 800 kV.

Essa elevação é necessária para evitar as perdas elétricas (na forma de calor e pela resistência das linhas) e também, para evitar as quedas de tensão.

A energia então é enviada as linhas de transmissão.

Essas linhas são interligadas por meio de subestações, onde se localizam os vários transformadores necessários para controlar o nível de tensão.

A malha de transmissão brasileira está interconectada por mais de 140 mil km de linhas, estas propiciam transferência de energia entre os subsistemas do Brasil.

Toda essa interconexão entre os agentes é chamado de SIN – Sistema Interligado Nacional, confirma a malha de transmissão deste sistema com previsão para 2024, segundo o ONS.

 

3 – DISTRIBUIÇÃO

Agora a energia é levada até os consumidores finais!

As linhas de transmissão chegam em subestações rebaixadoras.

Também existem as linhas de subtransmissão, que conectam as redes de transmissão às subestações de distribuição. Operando em tensões normalmente situadas na faixa que vai de 69 a 138 kV.

Após serem rebaixadas as tensões diminuem para níveis de distribuição primária (DP), acima de 2,3 kV.

Por meio de um outro transformador é novamente rebaixada para níveis abaixo de 2,3 kV, nível de tensão em distribuição secundária (DS).

A conexão e atendimento ao consumidor, qualquer que seja o seu porte, são realizados pelas distribuidoras de energia elétrica, que são um elo na cadeia.

Essas redes são compostas por um extenso conjunto de equipamentos elétricos, tais como postes, cabos, transformadores, alimentadores, sistemas de proteção e controle, entre outros.

As distribuidoras são as responsáveis por todos esses equipamentos, sua operação, manutenção, ampliação e reparos.

O mercado de distribuição de energia elétrica no Brasil conta com 92 empresas, dentre concessionárias e permissionárias, sendo responsáveis pelo atendimento de mais de 80 milhões de “Unidades Consumidoras” (UC).

Veja as principais distribuidoras do Brasil a seguir, segundo a Aneel:

Para os consumidores cativos as distribuidoras cobram o “fio”, que é o transporte da energia e também a própria energia, que as distribuidoras compram através de leilões de energia, organizados pelo governo.

Para os consumidores livres as distribuidoras cobram apenas o transporte da energia. A energia é comprada por estes consumidores diretamente das usinas geradoras ou através de comercializadoras, veremos a seguir.

4 – COMERCIALIZAÇÃO

A comercialização faz parte apenas do ambiente de contratação livre, onde os consumidores podem escolher livremente seus fornecedores de energia.

Nesse ambiente, consumidores e fornecedores negociam entre si as condições de contratação de energia.

E quais condições são negociadas? Preço da energia, prazo do contrato, tipo de energia e demais aspectos contratuais.

Cabe aos comercializadores atuar reduzindo os chamados custos de transação, fazendo o encontro eficiente entre geradores e consumidores.

Todos os contratos são registrados na CCEE e ao final de cada mês é realizada uma liquidação para acertar as faltas e sobras de energia.

Atualmente (2020) existem 347 comercializadores no Brasil e 16 Varejistas, estes são comercializadores que não necessitam que o consumidor esteja cadastrado na CCEE.

Atualmente, 80% da energia consumida pelas indústrias do País é adquirida no mercado livre de energia.

5 – CONSUMO

Finalmente chegamos ao destino! Os consumidores de energia elétrica.

Existem mais de 80 milhões de unidades consumidoras no país, destas 85% são residenciais, veja:

Apesar da grande maioria das unidades consumidoras estar conectada às redes de distribuição primária ou secundária existem algumas unidades industriais que operam com tensões mais elevadas e recebem energia diretamente da transmissão ou da subestação da distribuidora.

Os consumidores brasileiros são divididos entre cativos e livres, veja na imagem a seguir:

Os consumidores do mercado cativo podem aderir ao sistema de compensação de energia,  onde podem gerar sua própria energia e compensar na rede, podendo utilizar os créditos em meses seguintes conforme a REN Aneel 482/2012.

Veja os dados sobre esse tipo de geração no Brasil:

Espero que esse conteúdo tenha sido útil na sua busca pelo conhecimento do setor elétrico.

Agora tenho um presente mega especial, a CARTILHA ENERGÊS DO SETOR ELÉTRICO.

Elaborei ela no intuito de simplificar com imagens e esquemas o entendimento do assunto.

Insira seu e-mail e receba a cartilha imediatamente.

Lembra de me responder por lá se gostou e se tiver alguma sugestão também!



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21 Comentários

    • joi

      Olá William, que bom que gostou.
      Faça um bom proveito do conteúdo e sempre que precisar conte conosco!

  1. Pingback:Distribuidoras de energia elétrica: guia completo sobre o assunto l 2W

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