Quem trabalha com energia solar sabe que, mais cedo ou mais tarde, precisará substituir algum módulo fotovoltaico de um sistema já instalado. Seja por dano físico ou baixa performance, esse tipo de demanda é cada vez mais comum. E é justamente aí que surgem muitas dúvidas técnicas.
A substituição de módulos fotovoltaicos nem sempre é simples, principalmente quando o modelo original saiu de linha ou está indisponível no mercado. Nessas horas, o integrador ou consultor precisam tomar decisões que garantam a segurança e a durabilidade do sistema sem comprometer a performance ou colocar em risco os equipamentos.
Neste artigo, vamos direto ao ponto: você vai aprender quando é possível substituir um módulo por outro diferente, quais critérios técnicos devem ser respeitados e como fazer isso da maneira mais segura possível.
Substituição ideal: Buscar Módulo de Mesmo Modelo
A solução mais segura e direta para a substituição de módulos fotovoltaicos é encontrar um modelo idêntico ao original. Ou seja, mesma marca, mesma potência, número de células e características elétricas compatíveis.
No entanto, com a rápida evolução tecnológica do setor, nem sempre isso será viável. Quando o modelo original sai de linha, o profissional precisa considerar alternativas viáveis, sem abrir mão da segurança.
Critérios técnicos para substituição segura de módulos fotovoltaicos
Se não for possível encontrar o mesmo módulo, ainda é possível substituí-lo por outro modelo, desde que ele atenda a critérios técnicos fundamentais. Veja os principais:
– Corrente de curto-circuito (Isc) do novo módulo deve ser superior à do original;
-Potência de pico compatível;
-Mesmo número de células e tecnologia equivalente (ex.: PERC);
– Tensão de circuito aberto (Voc) semelhante.
O ideal é escolher um módulo com características o mais próximas possível do original. Quando não for possível atender a todos esses critérios, priorize a Isc: ela deve ser sempre superior à do módulo original. Assim, é possível realizar a troca com segurança, sem causar danos ao inversor ou prejudicar o desempenho da string.
Observando esses critérios a substituição dos módulos pode ser realizada sem causar danos aos equipamentos do sistema.
Segundo Villalva (2021), a substituição de um módulo de uma string por outro de maior corrente de curto circuito (Isc) não causa problemas. Preferencialmente, na substituição deve-se utilizar um módulo com potência e tensão de circuito aberto (Voc) próximas às do módulo original, para preservar as características da string. Entretanto, alguma discrepância de potência é permitida desde que as demais características dos módulos sejam semelhantes (número de células, tensão de circuito aberto) e o módulo substituto tenha maior corrente de curto-circuito.
Atenção redobrada ao combinar módulos diferentes
Primeiramente, em projetos de sistemas fotovoltaicos, evite misturar tecnologias de módulos diferentes. Isso porque módulos de fabricantes distintos podem apresentar variações no número de células e na tensão de circuito aberto (Voc).Quando combinados inadequadamente, esses módulos podem provocar corrente reversa, comprometendo a segurança e a eficiência do sistema.
Sempre que possível, a melhor prática é instalar os novos módulos em um MPPT livre do inversor. Essa separação elétrica evita incompatibilidades e protege os demais componentes.
No entanto, caso nenhuma dessas alternativas esteja disponível e o modelo original não possa mais ser adquirido, pode haver a necessidade de utilizar módulos diferentes. Nessa situação específica, é essencial seguir os critérios técnicos de compatibilidade para garantir o bom desempenho do sistema.
Exemplo prático: substituição de módulos com segurança
Imagine um sistema originalmente composto por módulos de 455W com tecnologia PERC. Agora, surge a necessidade de substituir um desses módulos. Ao buscar alternativas no mercado, você encontra um módulo de 540W, também com tecnologia PERC e 144 células, o que já indica uma possível compatibilidade.
Confira na imagem abaixo as tabelas comparativas dos principais parâmetros elétricos de cada modelo, conforme especificado em seus respectivos datasheets.
A tabela abaixo representa uma comparação dos principais pontos a serem analisados entre os módulos escolhidos:
Apesar da discrepância na potência, os módulos possuem mesma tecnolgia PERC, número de células, Voc similar e, o principal, corrente de curto circuito do módulo maior.
Conclusão
Quando possível, sempre utilize um MPPT livre. Se for inevitável o uso de módulos diferentes na mesma string, respeite os critérios mencionados — com ênfase na corrente de curto-circuito superior.
Compartilhe esse conteúdo com sua equipe técnica e mantenha ele salvo para consultar quando surgir essa situação.
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Até a próxima.
Joi e Equipe Energês.