Energia solar é sinônimo de economia, sustentabilidade e inovação. Mas você já parou para pensar na segurança por trás de cada sistema instalado?
Com o crescimento acelerado da energia fotovoltaica no Brasil, aumentam também as exigências técnicas e os riscos associados à instalação incorreta e à falta de dispositivos de proteção.
O que muitos não sabem é que mesmo com o sistema desligado, os cabos que ligam os módulos ao inversor podem continuar energizados — criando um risco invisível de incêndio. Além disso, pequenas falhas, como arcos elétricos, muitas vezes passam despercebidas até que seja tarde demais.
Foi para lidar com esses riscos que surgiram dois dispositivos essenciais (e obrigatórios) de segurança:
O AFCI (Interruptor de Circuito por Falha de Arco) e o Rapid Shutdown (Desligamento Rápido).
Neste artigo, você vai entender:
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O que são e como essas tecnologias funcionam;
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O que mudou com a nova NBR 17193:2025 e a Portaria Inmetro 140/2022; e
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Como garantir que seus projetos estejam seguros e dentro das normas.
Segurança não é um diferencial — é uma obrigação. E este artigo vai te mostrar como cumprir esse papel com excelência.
AFCI em inversores fotovoltaicos
O que é AFCI?
AFCI é a sigla para Arc-Fault Circuit Interrupter, ou, em português, Interruptor de Circuito por Falha de Arco. Trata-se de um dispositivo de proteção projetado para identificar e interromper arcos elétricos — um tipo específico de falha que pode gerar calor intenso e causar incêndios.
Diferentemente dos disjuntores tradicionais, que atuam apenas em casos de sobrecarga ou curto-circuito direto, o AFCI consegue detectar arcos elétricos: descargas perigosas que ocorrem quando a corrente elétrica “salta” entre condutores ou entre um condutor e a terra.
Esses arcos podem surgir de várias situações comuns em instalações elétricas, como:
-Fios danificados: cortes, rachaduras ou desgaste no isolamento dos cabos.
–Conexões mal feitas: terminais frouxos, emendas mal executadas ou contatos oxidados.
-Ação de roedores: animais que roem cabos, comprometendo o isolamento e expondo os fios.
-Envelhecimento dos materiais: o tempo e as condições ambientais podem degradar os componentes do sistema, elevando o risco de falhas.
Como funciona?
O AFCI atua monitorando continuamente o circuito e, ao identificar o padrão típico de um arco, interrompe o fornecimento de energia imediatamente, prevenindo acidentes graves.
A Importância do AFCI em Sistemas Fotovoltaicos
A presença do AFCI (Arc-Fault Circuit Interrupter) em sistemas fotovoltaicos vai além do cumprimento de normas técnicas: trata-se de um componente essencial para a segurança, a confiabilidade e a durabilidade das instalações. A seguir, entenda seus principais benefícios:
- Prevenção de incêndios: O principal papel do AFCI é detectar arcos elétricos perigosos — falhas invisíveis a olho nu e que, se não identificadas, podem gerar calor intenso suficiente para iniciar incêndio.
- Segurança das Pessoas e do Patrimônio: Garante a segurança das instalações fotovoltaicas e das pessoas que as utilizam. Com o AFCI, a integridade da instalação é mantida, reduzindo falhas e aumentando a confiabilidade do sistema como um todo.
Conformidade com Normas: Sistemas que incorporam o AFCI atendem à nova regulamentação brasileira (Portaria Inmetro 515/2023) e à NBR 17193:2025.
Regulamentação: Portaria Inmetro 140/2022
A Portaria Inmetro nº 140/2022 e seu complemento nº 515/2023 estabeleceram os novos critérios de segurança obrigatórios para inversores fotovoltaicos conectados à rede elétrica, com foco na prevenção de acidentes elétricos causados por arcos elétricos em série.
Desde dezembro de 2024, apenas inversores certificados com AFCI (ou formalmente dispensados) podem ser comercializados e instalados no Brasil.
A função AFCI deve estar integrada ao inversor fotovoltaico nos seguintes cenários:
Tensão de entrada superior a 120 V
Corrente de entrada superior a 20 A
Essa exigência se aplica somente a inversores on-grid, conectados à rede elétrica.
O AFCI deve ter capacidade de:
Interromper o arco elétrico em no máximo 2,5 segundos
Ou interrompê-lo antes que a energia liberada atinja 750 joules
O que ocorrer primeiro
Esses limites visam evitar o superaquecimento dos cabos, derretimento de isolantes e possíveis incêndios.
Todos os inversores que possuírem o AFCI integrado devem conter, de forma visível e permanente, a rotulagem com a seguinte inscrição:
“Sistema de proteção de arcos elétricos em série (Interrupção de Arco)”
Dispensa: Se o inversor operar abaixo dos limites de 120 V e 20 A, o fabricante pode solicitar a dispensa da funcionalidade desde que comprove, por meio de ensaios e tecnologia embarcada, que o equipamento consegue extinguir o arco com segurança.
Importante: Essa dispensa não é automática — depende de análise técnica e comprovação junto ao processo de certificação do produto.
Rapid Shutdown (RSD): Desligamento Rápido em Situações Críticas
Imagine um cenário de incêndio em uma casa equipada com um sistema fotovoltaico. Os bombeiros chegam, mas os condutores CC (corrente contínua) dos módulos fotovoltaicos continuam energizados — mesmo após o desligamento do inversor no solo.
Esse risco elétrico pode:
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Impedir o trabalho seguro de equipes de emergência
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Comprometer a integridade física de pessoas próximas
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Aumentar os danos em situações críticas
O que é RSD?
O Rapid Shutdown (RSD) é uma solução de segurança projetada para desenergizar rapidamente os condutores de corrente contínua (CC) localizados no telhado.
✅ Objetivo principal: Reduzir a tensão CC a níveis seguros em segundos após o desligamento do sistema ou em uma emergência.
Como o RSD funciona?
Modo Passivo
Quando a rede elétrica cai ou o sistema detecta que está operando em “modo ilha”, os relés do RSD desconectam automaticamente os módulos fotovoltaicos do inversor, reduzindo a tensão e interrompendo o fluxo de energia.
Modo Ativo
Em caso de emergência, como um incêndio, o RSD pode ser ativado manualmente usando um botão de emergência, desligando o sistema completamente.
É importante verificar se há regulamentações específicas dos Corpos de Bombeiros em seu estado. Por exemplo, em Goiás, a Nota Técnica nº 14/2023 exige que os sistemas fotovoltaicos incluam proteção contra falhas de arco elétrico (AFPE) e dispositivos de proteção contra falhas de aterramento (GFCI).
Além disso, é obrigatória a instalação de um dispositivo RSD junto aos módulos fotovoltaicos. A chave de acionamento deve estar localizada em um ponto seguro da edificação e de fácil acesso.
Importância do RSD em Sistemas Fotovoltaicos
A função Rapid Shutdown protege:
– Bombeiros e equipes de emergência, que podem atuar com segurança no local.
– Técnicos de manutenção, evitando choque elétrico acidental.
– Moradores ou ocupantes, em situações de sinistro elétrico ou falha grave do sistema.
É uma medida essencial de segurança em edificações com sistemas fotovoltaicos em telhados.
Regulamentação ABNT NBR 17193:2025
A norma ABNT NBR 17193:2025, publicada em 2025, estabelece regras específicas para segurança contra incêndio em sistemas fotovoltaicos.
Ela torna obrigatório o uso de AFCI e Rapid Shutdown em:
-Edificações residenciais, comerciais, industriais e públicas.
–Áreas classificadas como de risco.
Exceções: A norma não se aplica a:
– Usinas de geração distribuída montadas no solo.
– Prédios com sistemas de armazenamento de energia.
Comparativo: AFCI VS. RSD
Embora muitas vezes mencionados juntos, é fundamental entender as diferenças e complementaridades entre esses dois sistemas para garantir que os projetos estejam adequados às normas e ofereçam o mais alto nível de proteção possível.
O quadro a seguir apresenta um comparativo direto entre o AFCI e o Rapid Shutdown, facilitando a compreensão de suas funções, aplicações e exigências regulatórias:
O que muda na Prática?
Com a entrada em vigor das novas exigências técnicas da ABNT NBR 17193:2025 e da Portaria Inmetro nº 140/2022 e seu complemento 515/2023, toda a cadeia do setor fotovoltaico deve se adaptar. Abaixo, destacamos como essas mudanças afetam diretamente cada perfil de atuação:
Para Projetistas:
Os projetos deverão incluir obrigatoriamente o AFCI e o sistema de Rapid Shutdown sempre que as condições previstas na norma forem atendidas.
É essencial especificar equipamentos compatíveis, com certificações reconhecidas pelo Inmetro, e prever a correta disposição dos dispositivos para atendimento à norma.
A responsabilidade técnica sobre o cumprimento das exigências passa a ser ainda mais crítica.
Para Instaladores:
O instalador deverá verificar, instalar e testar os dispositivos conforme as instruções dos fabricantes e requisitos normativos.
É indispensável manter-se atualizado sobre normas técnicas e treinamentos específicos relacionados ao AFCI e RSD.
O comissionamento do sistema deve incluir a verificação da operação do Rapid Shutdown e testes funcionais do AFCI.
📌Importante: Em caso de incêndio o responsável técnico pode responder criminalmente a todos os danos causados por impossibilitar o resgate devido a falta dos dispositivos de segurança.
Para o Cliente Final (usuário ou proprietário):
Sistemas mais seguros significam menor risco de acidentes, incêndios e prejuízos futuros, além de valorização do imóvel.
O cliente tem o direito (e dever) de solicitar documentação de conformidade e laudos técnicos das instalações.
📌Importante: Sistemas que não atendam às exigências podem ser considerados irregulares ou inseguros, o que pode dificultar laudos técnicos, garantias e até seguros patrimoniais.
Aplicação na Prática: Caso Huawei
A Huawei, já se antecipou às exigências da Portaria Inmetro nº 140/2022, sua extensão 515/2023 e da norma ABNT NBR 17193:2025.
✅Toda a linha de inversores monofásicos e trifásicos da marca — voltada para aplicações residenciais, comerciais e industriais — já conta com a função AFCI (Arc Fault Circuit Interrupter) integrada de fábrica.
Inversores Huawei
Otimizadores Huawei
Outro diferencial da Huawei é a oferta de otimizadores inteligentes que atendem à exigência de Rapid Shutdown (RSD) — funcionalidade mandatória para telhados solares conforme a NBR 17193:2025.
🔒Em situações de emergência, ou quando o inversor é desligado manualmente ou por falha, os otimizadores:
- Reduzem a tensão da string para 0V (SUN2000-600W-P) ou 1V (MERC-1100/1300W-P) em poucos segundos;
- Evitam risco de choque elétrico em socorristas, técnicos ou qualquer pessoa próxima à estrutura;
- Garantem a segurança das instalações em coberturas, especialmente em edificações urbanas.
Conclusão: Segurança não é Opcional — é Fundamental
O crescimento do setor fotovoltaico no Brasil trouxe inúmeras oportunidades, mas também impôs a necessidade de profissionalização e responsabilidade técnica.
A norma ABNT NBR 17193:2025 e as portarias do Inmetro representam um divisor de águas: estabelecem um novo patamar de exigência para garantir que a geração solar seja segura, confiável e sustentável.
💡Lembre-se: Não basta gerar energia. É preciso gerar energia com segurança.
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Uma parceria entre Energês e Huawei | HDT
Excelente texto sobre o assunto, e de grande importância para nós que trabalhamos na área de energia renovável. Parabéns pelo artigo. Como faço para seguir vc nas redes sociais ?
Muito obrigado pelo comentário, Cláudio!
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